O LIVREIRO

domingo, 4 de abril de 2010

EUA voltam a atacar etanol brasileiro

Gustavo Chacra - O Estado de S.Paulo
CORRESPONDENTE
NOVA YORK
Os produtores de etanol dos Estados Unidos, que usam o milho como matéria-prima, lançaram nova ofensiva para tentar barrar a entrada do etanol brasileiro, de cana-de-açúcar. Na semana passada, dois deputados da bancada ruralista, em Washington, apresentaram um projeto de lei para tentar prorrogar por mais cinco anos os subsídios aos plantadores de milho e as tarifas à importação de etanol.


A Associação da Indústria de Cana de Açúcar do Brasil (Unica) considera que essa é a principal batalha do ano para os produtores brasileiros de etanol.

Recentemente, os usineiros brasileiros conseguiram grande vitória nos EUA, com o reconhecimento, pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), de que o etanol produzido a partir da cana é um biocombustível avançado, que reduz em ao menos 40% a emissão de dióxido de carbono em relação à gasolina. A decisão da EPA abre as portas para o mercado americano - desde que o lobby dos produtores do etanol de milho não consiga manter ou elevar as barreiras hoje vigentes.

Subsídios. A atual legislação prevê dois tipos de benefícios aos produtores americanos. Um deles é o subsídio: para cada galão de gasolina com etanol, os produtores americanos de etanol ganham um crédito de US$ 0,45 para ser abatido em impostos. Outro benefício é a tarifa de importação, que impõe taxa de US$ 0, 54 por galão sobre o etanol brasileiro. Essa lei vigora até o fim do ano.

A ação bipartidária anunciada na semana passada pelos deputados democrata Earl Pomeroy e republicano John Shimikus visa a defender essa proteção aos produtores de milho americanos. Um projeto de lei similar e coordenado com a da Câmara deve ser apresentado no Senado nas próximas semanas.

Segundo os dois parlamentares, caso a atual legislação expire, 112 mil empregos podem ser perdidos e a produção de etanol será reduzida em 38%. "Em um momento em que a economia americana enfrenta problemas, não podemos permitir que esses incentivos fiscais expirem, minando o crescimento que temos visto na nossa indústria de etanol", disse Pomeroy. "A prorrogação dos créditos fiscais ajuda a indústria a contribuir com a segurança da nossa nação", acrescentou Shimkus.

A proposta foi imediatamente contestada por produtores do Brasil e pela indústria alimentícia dos EUA, que acaba pagando mais pelo milho que não é destinado ao etanol.

Reação. Joel Velasco, representante da Unica em Washington, divulgou comunicado afirmando que "os americanos não se beneficiarão dessa alternativa mais limpa e econômica se o Congresso continuar erguendo barreiras comerciais contra o etanol importado". "É irônico que o Congresso permita que o petróleo de nações hostis aos EUA entrem no país sem pagar tarifa, enquanto punem a energia limpa do Brasil, um antigo aliado democrático."

A American Meat Institute, que representa os produtores americanos de carne, também se manifestou. "Infelizmente, essa lei continua a apoiar e a proteger de forma desonesta o etanol do milho nos últimos 30 anos à custa do contribuinte americano e do gado e das aves que dependem do milho para alimentação", disse, em comunicado, o presidente da associação, Patrick Boyle. "Chegou a hora de a indústria do etanol parar de usar o dinheiro dos impostos americanos e a passar a competir por conta própria no livre mercado."

A Unica tem agido no Congresso americano para defender a posição dos produtores brasileiros. O argumento principal é o de que os incentivos fiscais custam US$ 6 bilhões aos cofres americanos por ano.

A tarefa será difícil, já que este é um ano eleitoral e produtores de milho influenciam os votos para deputados em muitos Estados. O presidente Barack Obama também sabe que sua virada na disputa presidencial ocorreu graças à sua vitória nas primárias em Iowa, um dos principais Estados produtores de milho.

Os produtores de milho usam até o relatório da EPA para seu lobby. Como a EPA avaliou que o etanol de cana é menos poluente que o de milho, os produtores americanos dizem que esse é mais um motivo para o governo os defender.

FONTE: www.estadao.com.br

sábado, 3 de abril de 2010

Como se monta um motor

Montagem de motor

Safra de cana deverá vir com maior renda




Safra de cana deverá vir com maior renda
01/04/2010
Folha de S. Paulo - São Paulo - SP

Expectativa é das indústrias do setor, que preveem moagem recorde de 596 milhões de toneladas

A nova safra de cana-de-açúcar deverá gerar o recorde de 596 milhões de toneladas na região centro-sul. Se confirmado, esse volume supera em 10% o da colheita que se encerrou.

Os dados são da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que prevê uma safra mais rentável para produtores e usinas neste ano. Na avaliação de Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da entidade, a demanda por álcool deve continuar firme e os preços não recuam tanto como em 2009.

O açúcar perdeu força e caiu no mercado internacional nas últimas semanas, mas na renovação de contratos deste ano as usinas conseguiram um patamar de preço bem melhor do que o de 2009, diz Padua.

A safra de 2010/11 mostrará, mais uma vez, aumento na participação do açúcar na moagem da cana, mas com evolução menor do que em 2009/10. Do total de cana a ser moído, 57% vão para álcool e 43% para açúcar.

Com isso, a produção de açúcar sobe 19%, para 34,1 milhões de toneladas, e a de álcool vai a 27,4 bilhões de litros -aumento de 16% em relação à anterior.

A safra atípica de 2009 não deve se repetir neste ano, mas um dos problemas será o envelhecimento do canavial, o que torna a safra menos produtiva.

Enquanto a cana de um ano e meio -que tem volume menor neste ano- rende 110 toneladas por hectare, a de quinto corte -que tem área maior- produz apenas 70 toneladas.

Mas o aumento da qualidade da cana e a entrada em operação de dez novas unidades industriais garantirão a elevação da produção, diz Rodrigues.

A produção de açúcar aumenta 5,5 milhões de toneladas nesta safra, enquanto as exportações sobem 3,3 milhões. A produção de álcool cresce 3,7 bilhões de litros, com exportações de 1,8 bilhão de litros.

O grande mercado do álcool é o interno, diz Padua. Em março de 2011, a frota de carros flex deve atingir quase a metade -49%- dos veículos em circulação no país. Com isso, as vendas médias mensais de álcool sobem para 2,1 bilhões de litros.

A renda de 2009/10 não agradou aos produtores. O Consecana mostrou o valor médio de R$ 46,40 por tonelada, ante custo de R$ 52, incluída a depreciação, diz Ismael Perina Júnior, presidente da Orplana.

FONTE: www.unica.com.br

Usina poderá comprar produto de outras e elevar estoques de etanol






A partir da safra 2010/11, os produtores brasileiros de etanol poderão comercializar sua produção entre si, de acordo com resolução da Agência Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o que deve contribuir para reduzir a volatilidade de preços do produto junto ao consumidor final.

De acordo com o diretor técnico da União da Indústria da cana-de-açúcar, Antonio de Padua Rodrigues, esta medida vai permitir que empresas mais capitalizadas comprem o produto das empresas menores para armazenar para a entressafra. Desta forma, estas empresas maiores poderão evitar uma oferta expressiva de etanol durante a safra, fazendo com que os preços caiam para abaixo do custo de produção, e forte alta na entressafra. "Esta medida será mais eficaz que os programa de armazenagem do governo para equilibrar o mercado e reduzir a volatilidade", explica Pádua.

Em 2009, em função da crise de liquidez, muitas usinas acabaram desovando sua produção durante a safra, o que levou os preços do etanol a caírem para um nível abaixo do custo de produção durante cerca de 10 meses. Nos dois meses restantes, o etanol subiu de forma expressiva e tornou a gasolina mais competitiva no tanque dos carros flex. "Com esta possibilidade, iremos tirar o excesso de oferta durante a safra e garantiremos mais oferta de etanol durante a entressafra", afirma.

A medida da ANP equalizou uma diferença tributária entre compra e venda de etanol que havia entre produtores que inviabilizava este tipo de transação. Na mesma resolução da ANP, que versa sobre as agências comercializadoras, também consta item que permite que os produtores possam vender etanol em filiais fora das usinas.

Na prática, a medida permitirá que as usinas vendam etanol em lugares mais distantes. "Por exemplo, uma usina paulista poderá vender etanol no Rio Grande do Sul em uma filial a preços mais competitivos que se a negociação fosse realizada via uma distribuidora", disse.

Para o presidente da União da Indústria da cana-de-açúcar, Marcos Jank, estas duas medidas irão garantir maior estabilidade ao mercado. O executivo disse também que o governo deve divulgar, em breve, um novo programa de armazenamento de etanol, mais acessível ao produtor. "No ano passado, a linha anunciada pelo governo pedia garantias demais e não apresentava juros competitivos nem possíveis de serem pagos por conta da falta de crédito criada pela crise", disse. Segundo ele, ainda não há detalhes sobre o programa.

Padua, da União da Indústria da cana-de-açúcar, também citou a criação de um novo contrato futuro de etanol como instrumento importante para a consolidação de um mercado mais consolidado, sem estar concentração nas compras à vista, como acontece no momento. Segundo ele, o contrato deverá ser liquidado por um Indicador de Hidratado Diário, que o Cepea, da Esalq, começou a divulgar ontem.

Porém, Pádua confessa que o contrato futuro que será lançado pela BM&FBovespa entre maio e junho não atendeu aos pedidos do setor. "O contrato terá liquidação financeira e não contemplará entrega física. Acreditamos que a entrega física atrairia mais os consumidores de etanol para este mercado", disse.


31/03/10 - Eduardo Magossi
Fonte: Agência Estado
fonte: www.udop.com.br

Super safra de cana-de-açúcar deve derrubar preços dos combustiveis





Queda no preço dos combustíveis. Essa é a expectativa do mercado e de consumidores com o anúncio da maior safra de cana-de-açúcar desde 1991, ano em que a Única, entidade representante do setor sucroalcooleiro, começou a fazer o levantamento. A estimativa é de 595,8 milhões de toneladas no período 2010/2011, num aumento de 10% em relação à colheita anterior. Para o mercado doméstico, a oferta adicional será de 4,6 bilhões de litros de álcool, número que representa uma expansão de 22,1%. O açúcar, cuja produção poderá crescer 5,4 milhões de toneladas, também deve apresentar retração nos preços, mas em ritmo menor.

Segundo o diretor-técnico da Única, Antonio de Padua Rodrigues, o preço do álcool no país será definido pelo próprio mercado, em função da oferta e da procura. "Ele será formado pelo movimento diário desses elementos e dificilmente o consumidor sairá prejudicado", assegurou. O presidente da Única, Marcos Sawaya Jank, foi além. "O consumidor nunca foi punido. Nem mesmo no ano passado, quando houve um momento em que ele passou a usar muito mais gasolina do que etanol em função do preço. O carro flex possibilitou que o brasileiro não ficasse preso a um único produto. Só é preciso deixar que o mercado funcione sozinho para que os preços se equilibrem", argumentou.

A projeção de valores menores, tanto do açúcar quanto do álcool, se explica também porque neste ano, segundo os técnicos da Única, o crescimento da produção será bem mais expressivo que o das exportações. A sobra ficará no mercado interno. No caso do açúcar, as vendas externas devem ficar em 3,3 milhões de toneladas, o que produzirá um saldo de 2,1 milhões de toneladas, que permanecerão no país. O Brasil deve exportar 950 milhões de litros de etanol a menos, numa queda de 34,5%.


Victor Martins
Fonte: Correio Braziliense
FONTE: www.udop.com.br

Covênio alavanca parceria com usinas de açúcar e álcool

A Embrapa Transferência de Tecnologia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento começa a delinear a forma como vai desenvolver ações relacionadas ao desenvolvimento de tecnologias agronômicas e industriais da cadeia produtiva de bioenergia de acordo com convênio de cooperação técnica e científica assinado entre a Embrapa e a Udop (União dos Produtores de Bioenergia) na quarta-feira ( 10 ) , durante a Feicana 2010, em Araçatuba (SP).

O convênio é resultado das articulações do Escritório de Negócios de Campinas, da Embrapa Transferência de Tecnologia, junto com a Assessoria de Relações Nacionais da Embrapa que, desde o ano passado, vem buscando uma aproximação com o setor produtivo da cana-de-açúcar através de suas representações, no caso a Udop e a Única (União da Indústria da Cana-de-açúcar).

Em setembro do ano passado, a Embrapa e a Udop promoveram o Seminário: “Cana-de-açúcar: perspectivas de integração com espécies oleaginosas”, uma iniciativa para promover o encontro entre usineiros, produtores e técnicos interessados em desenvolver o setor com a introdução de espécies oleaginosas em áreas de reforma do canavial.

Pedro Abel, pesquisador da Embrapa Transferência de Tecnologia em Campinas, que participa desde o início das articulações com a Udop e várias usinas do oeste paulista do estado de São Paulo, explica que depois do seminário começaram a surgir tantas demandas de pesquisa e transferência de tecnologia por parte da Udop e seus associados que foi necessária a criação de um convênio.

Depois da assinatura deste convênio, já nos reunimos com a diretoria da Udop para levantar as demandas para a região e acertamos uma reunião com os gerentes agrícolas das usinas para apresentar algumas tecnologias da Embrapa como, por exemplo, o inoculante para cana-de-açúcar e cultivares de oleaginosas para rotação.

Em outro passo, mais adiante, a Embrapa vai discutir com a diretoria da Udop sua visão do setor sucroalcooleiro e depois disto montaremos uma agenda de desenvolvimento da pesquisa para a cultura, assim poderemos dar um foco no setor e não apenas ficar repassando tecnologias pontuais, explica Pedro Abel.

Convênio proporciona desenvolvimento no setor

Antonio César Salibe, presidente executivo da Udop, que representa uma média de 230 usinas de açúcar e álcool no país, lembra que existem várias instituições fazendo pesquisa no setor sucroalcooleiro, porém, no oeste do estado de São Paulo pouca coisa tem sido feita.

“É uma região jovem ainda no plantio da cana-de-açúcar, importamos tecnologia de outras regiões e adaptamos à nossa realidade, por isso pedimos este convênio com a Embrapa”. Com esta parceria, as usinas podem contar com a expertise da Embrapa no setor da agropecuária e da bioenergia, não só na área de melhoramento genético, mas, também na pesquisa de adubação, manejo e preparo de solo para a nossa região, diz Salibe.

Em contrapartida, estamos colocando à disposição da Embrapa, nossas unidades produtoras que podem servir de base para a pesquisa. Serão 70 estações experimentais em seis estados brasileiros à disposição da Embrapa.

Após a assinatura do convênio, com a presença da ministra chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, o representante da presidência da Embrapa no evento, Celso Wainer Manzatto, chefe da Embrapa Meio Ambiente disse que esta é uma parceria que será benéfica tanto para a Embrapa como para a Udop.

“Para a Embrapa que ainda não tem uma forte atuação dentro da cadeia produtiva da cana-de-açúcar é uma oportunidade de direcionar pesquisas e projetos relacionados ao etanol” observou o representante da Embrapa. Para o setor sucroalcooleiro, conforme o presidente da Udop já afirmou, as pesquisas agronômicas da Embrapa serão importantes no desenvolvimento do setor principalmente no oeste paulista, última fronteira agrícola da região com maior produtividade de etanol do país, completou Celso Manzatto.

Dilma Rousseff em seu discurso, após a assinatura do convênio, disse que a parceria entre o governo, o setor privado e a academia científica são fundamentais para que o país cresça.

“Nós não seremos o país desenvolvido que queremos ser se não apostarmos na economia do conhecimento e ela está representada aqui por um dos centros de excelência mais respeitados do Brasil, que é a Embrapa”. Nós temos consciência de que para o nosso país avançar, o desenvolvimento da tecnologia é uma questão fundamental, finalizou a ministra.


FONTE: WWW.EMBRAPA.BR